1
00:00:20,206 --> 00:00:24,074
Se, em nosso século,
ainda houvesse coisas sagradas...
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00:00:24,877 --> 00:00:29,109
se houvesse algo como
um tesouro sagrado do cinema...
3
00:00:30,082 --> 00:00:35,247
então, para mim, ele seria o trabalho
do diretor japonês Yasujiro Ozu.
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00:00:35,454 --> 00:00:37,445
"VIAGEM A TÓQUIO"
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00:00:37,657 --> 00:00:40,387
Ele fez 54 filmes.
6
00:00:40,593 --> 00:00:42,754
Filmes mudos, na década de 1920...
7
00:00:42,962 --> 00:00:45,556
filmes em preto-e-branco,
nas décadas de 30 e 40...
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00:00:45,765 --> 00:00:48,199
e, por fim, filmes coloridos,
até a sua morte...
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00:00:48,401 --> 00:00:54,362
em 12 de dezembro de 1963,
no seu 60º aniversário.
10
00:00:56,308 --> 00:01:02,042
Com recursos extremamente parcos
e reduzidos ao mais essencial...
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00:01:02,248 --> 00:01:06,344
os filmes de Ozu repetidamente
contam a mesma e simples história...
12
00:01:06,552 --> 00:01:11,148
sobre as mesmas pessoas,
vivendo na mesma cidade: Tóquio.
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00:01:12,191 --> 00:01:14,887
Esta narrativa, cobrindo
um período de quase 40 anos...
14
00:01:15,094 --> 00:01:18,757
retrata a transformação
da vida no Japão.
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00:01:19,165 --> 00:01:23,932
Os filmes de Ozu lidam com a lenta
deterioração da família japonesa...
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00:01:24,136 --> 00:01:28,539
e, assim, com a deterioração
da identidade japonesa.
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00:01:28,741 --> 00:01:31,107
Mas eles o fazem não apontando
com desalento...
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00:01:31,310 --> 00:01:34,711
ao que é novo,
ocidental ou americano...
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00:01:34,914 --> 00:01:38,975
mas lamentando, com um sentimento
verdadeiro de nostalgia...
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00:01:39,185 --> 00:01:42,279
o que perdem, ao mesmo tempo.
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00:01:42,922 --> 00:01:46,255
Embora sejam absolutamente
japoneses...
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00:01:46,459 --> 00:01:50,418
esses filmes são, ao mesmo tempo,
universais.
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00:01:51,030 --> 00:01:54,056
Neles, eu pude reconhecer
todas as famílias...
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